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Mulher fica internada em estado grave após usar caneta emagrecedora vendida ilegalmente sem indicação médica

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem toda caneta emagrecedora pode ser comercializada no Brasil

21/01/2026 às 11h47
Por: Redaçao Fonte: G1
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Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Uma mulher de 42 anos, de Belo Horizonte, está internada desde dezembro em estado grave devido a complicações desenvolvidas após o uso de uma caneta emagrecedora vendida de forma ilegal.

Segundo a família da auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, ela usou o medicamento, proveniente do Paraguai, sem prescrição médica.

Inicialmente, Kellen foi internada com dor abdominal, mas o quadro evoluiu para problemas neurológicos. A suspeita é que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura e os movimentos do corpo, a fala e o funcionamento de órgãos.

“Em um primeiro momento ela foi internada com muita dor abdominal, e foi comprovada a intoxicação medicamentosa. Meu pai pegou a ampola aqui em casa, levou para o [Hospital] João XXIII para fazer a análise, e lá eles não conseguiram fazer a análise porque era um medicamento do Paraguai”, contou a filha de Kellen, Dhulia Antunes.

Perigo

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem toda caneta emagrecedora pode ser comercializada no Brasil. E, quando o remédio não é regulamentado, não há informações seguras sobre a procedência e a eficácia dele. Além disso, existe o risco de o paciente fazer uso de uma substância que não condiz com o princípio ativo informado.

Quando indicadas por um médico, as canetas emagrecedoras podem contribuir para o tratamento da obesidade, mas o uso indiscriminado e a compra de revendedores não autorizados são perigosos.

“Toda vez que você ingere um medicamento que você não sabe a procedência, pode conter tudo ali dentro. Essas canetas, a gente sabe que existe um todo um processo de produção delas, e às vezes você compra uma que não teve todo o cuidado necessário para a segurança e a eficácia do medicamento”, disse o médico endocrinologista Márcio Lauria.

Segundo o médico, o meio mais seguro para a compra desse tipo de medicamento são as farmácias.

“O ideal é você comprar na farmácia. Essas clínicas que manipulam esses medicamentos, que fazem de uma maneira diferente, a gente não recomenda isso, justamente porque quebra o processo de toda a confiabilidade de produção da medicação”, afirmou.

Regulamentação e fiscalização

Em nota, a Anvisa afirmou que a fiscalização de clínicas cabe à Vigilância Municipal.

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, quando há irregularidades na venda ou na aplicação do medicamento, a Vigilância Sanitária apreende os produtos, emite multas e interdita o estabelecimento.

Para conter a venda irregular deste tipo de produto, o município afirmou que fiscaliza estabelecimentos que comercializam ou aplicam medicamentos. E que, durante as ações, são avaliadas a procedência e a autenticidade dos produtos utilizados, principalmente por meio do rótulo.

Também são analisadas pela Vigilância as condições de armazenamento e a habilitação do estabelecimento.

A Vigilância Sanitária ainda reforçou a importância da denúncia de práticas suspeitas e irregulares por meio dos canais oficiais de atendimento disponibilizados pela prefeitura, como o portal de serviços ou o telefone 156.

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