
O resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (25), colocou em discussão a precisão dos levantamentos eleitorais divulgados nos últimos dias de campanha. Entre as 18 pesquisas relacionadas em um levantamento que circulou após a votação, 17 apresentavam Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entretanto, foi Lula quem conquistou a reeleição para um quarto mandato.
De acordo com os números informados da apuração, com 99,96% das urnas totalizadas às 21h50 de domingo, Lula registrava 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 3,52 pontos percentuais.
Entre os institutos que apontaram vantagem numérica para o candidato do PL estavam dois dos mais conhecidos do país: Datafolha e Quaest. Ambos apresentaram, nos levantamentos relacionados, Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. O resultado das urnas, porém, mostrou o cenário inverso, com vantagem ainda maior para o presidente.
No caso do Datafolha e da Quaest, a diferença entre o percentual atribuído a Lula nas pesquisas e sua votação efetiva foi de 2,76 pontos percentuais. Já Flávio Bolsonaro terminou 2,76 pontos abaixo dos 51% indicados nos levantamentos.
Outros institutos também apresentaram resultados diferentes dos registrados nas urnas. O Real Time Big Data, o Gerp e a Alfa Inteligência, por exemplo, apontaram Flávio com 52% e Lula com 48%, uma distância ainda maior em relação ao resultado da eleição.
Entre os 18 levantamentos relacionados, o Vox Brasil foi o único a apresentar Lula numericamente à frente. A pesquisa divulgada na sexta-feira (23) indicou 50,60% para o presidente e 49,40% para Flávio Bolsonaro.
Embora tenha indicado corretamente a ordem de votação dos candidatos, o levantamento também apresentou diferença em relação às urnas: Lula terminou 1,16 ponto percentual acima do índice projetado pelo instituto.
O desempenho dos institutos reacende o debate sobre a interpretação das pesquisas eleitorais, especialmente em disputas equilibradas.
É importante observar, entretanto, que pesquisas de intenção de voto não são previsões definitivas de resultados. Elas procuram medir as preferências dos eleitores no período em que as entrevistas são realizadas, dentro de uma margem de erro e de um nível de confiança previamente estabelecidos.
Por isso, uma vantagem numérica de 51% a 49%, por exemplo, não significa necessariamente que o candidato à frente seja o favorito estatístico. Dependendo da margem de erro, o resultado pode representar um empate técnico.
Ainda assim, o fato de tantos levantamentos terem apresentado vantagem numérica para o mesmo candidato, enquanto o resultado das urnas apontou vitória do adversário, merece uma análise mais aprofundada sobre as metodologias utilizadas, a composição das amostras e eventuais mudanças no comportamento do eleitorado nos últimos dias.
O episódio também reforça a importância de apresentar as pesquisas ao público com suas respectivas margens de erro, datas de realização e limitações, evitando transformar pequenas diferenças percentuais em certezas sobre o resultado eleitoral.
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